Desde 2011, pesquisadores do Museu Goeldi denunciam a destruição de campinas e campinaranas na região
A região do Acará, situada a 65.74 km de Belém, é uma das mais desmatadas do Pará e, atualmente, resguarda poucos fragmentos intactos de campinas e campinaranas. Os pesquisadores propõem a criação de um programa de conservação de biodiversidade nas campinas desse município. As campinas e campinaranas são um dos tipos de vegetação menos protegidos pelo sistema atual de unidades de conservação e um dos mais ameaçados na Amazônia.
Campina e campinarana – É sobre solos arenosos que cresce esta vegetação de grande interesse para estudos em biogeografia e distribuição de espécies na Amazônia, devido ao isolamento e à grande variação na composição de espécies. As campinas possuem vegetação de pequeno porte, com arbustos e árvores de até 4m de altura. O dossel é descontínuo, com pequenos fragmentos de bromélias, orquídeas e liquens rodeados de areia branca. Já a campinarana possui alta densidade de
Estudos sobre campinas e campinaranas na Amazônia apontam para a existência de plantas extremamente específicas, com padrões de distribuição geográficos bem delimitados e exclusivos destas áreas. Após a exploração de areia, o que resta nessas áreas são crateras degradadas, já que o solo arenoso possui altas taxas de lixiviação e baixíssimos índices de fertilidade. Na prática, isso significa que o ambiente é vulnerável à erosão e tem baixa capacidade de voltar à condição original por apresentar solos pobres em nutrientes.
No Pará, o Zoneamento Ecológico-Econômico do estado classificaram essas áreas como “Zonas Ambientalmente Sensíveis”, onde são proibidas atividades econômicas que ameacem sua integridade. Esse tipo de vegetação já foi praticamente eliminado da Zona Bragantina no Pará e está sendo destruído em vários outros municípios paraense tais como, Cametá, Mocajuba e Itaituba.
As campinas e campinaranas representam um tipo de vegetação de grande importância para a ciência e é necessário preservar os poucos fragmentos ainda intactos como os existentes na região do Acará. Em virtude da crescente depredação desta vegetação, o Museu Emílio Goeldi está solicitando atenção especial das autoridades ambientais e do Ministério Público do Estado do Pará.
Texto: Luena Barros
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